Relações saudáveis na adolescência: projeto sobre gênero e equidade na escola

Estado: Distrito Federal (DF)

Etapa de Ensino: Ensino Médio

Modalidade: Educação de Jovens e Adultos, Educação do Campo, Educação Escolar Indígena, Educação Escolar Quilombola, Educação Profissional Tecnológica, Educação Regular

Disciplina:

Formato: Híbrido, Presencial, Remoto

Doutoranda em Educação pela UnB. Mestra em Educação em Direitos Humanos e Cultura de Paz - UnB. Especialista em Direitos Humanos da Criança e do Adolescente – UFG, Especialista em Educação para a Diversidade, Cidadania e Direitos Humanos - UFG, Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça - UnB, Especialista em Gestão Escolar - UnB, Licenciada em Pedagogia. Professora no Governo do Distrito Federal.

Doutoranda e Mestra (2016) em Educação pela UFG. Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça pela UnB (2014). Licenciada em Pedagogia pela USP (2010). Professora dos anos iniciais do ensino fundamental pelo Governo do Distrito Federal desde 2011.

Objetivos


  • Compreender a diversidade como intrínseca à sociedade e como as questões de gênero perpassam as relações de poder e impulsionam violências;

  • Conhecer alguns aspectos importantes da diversidade étnica e cultural;

  • Compreender gênero como uma construção social;

  • Entender os mecanismos de opressão nas relações de gênero;

  • Reconhecer o machismo como uma problemática social e que atinge também meninos e homens;

  • Identificar relacionamentos abusivos e os tipos de violência contra meninas e mulheres.

Conteúdo

O foco deste projeto interdisciplinar é a violência contra meninas e mulheres. O fato do Brasil ser o país que ocupa o 5º lugar no ranking mundial de feminicídios alerta para a necessidade urgente de se abordar as relações afetivas e amorosas desde cedo. Os dados apontam para um vínculo estreito entre vítima e algoz nesses assassinatos. Entendo o feminicídio como ápice de um processo carregado de diferentes tipos de violências, este projeto se volta ao aspecto gradual dessas para compreender que assim também são as aprendizagens referentes à cultura do machismo e do sexismo.

Uma pesquisa com 3.205 adolescentes realizada em dez capitais brasileiras demonstrou que 86,9% já haviam sido vítimas e 86,8% já haviam praticado algum tipo de violência durante suas relações “amorosas” (OLIVEIRA et al., 2011). A violência no namoro é uma realidade da juventude brasileira. Desse modo é imperioso que se eduque estudantes de modo a serem capazes de estabelecer relações fraternas e amorosas mais saudáveis e humanizadas.

Para tanto, os conteúdos a serem trabalhados neste projeto são:

  • Gênero, questões raciais e sexualidade;

  • Violência contra as meninas e mulheres

  • Masculinidade tóxica;

  • Relações fraternas e amorosas.


Tais conteúdos estão em consonância com diversos ordenamentos legais, convenções, documentos e orientações educacionais, dentre os quais destacamos a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Nela, o entendimento de formação geral básica, itinerários formativos/itinerários integrados e Projeto de Vida orienta uma educação para o reconhecimento das diferenças sob a perspectiva da igualdade.
"Ao se orientar para a construção do projeto de vida, a escola que acolhe as juventudes assume o compromisso com a formação integral dos estudantes, uma vez que promove seu desenvolvimento pessoal e social, por meio da consolidação e construção de conhecimentos, representações e valores que incidirão sobre seus processos de tomada de decisão ao longo da vida. Dessa maneira, o projeto de vida é o que os estudantes almejam, projetam e redefinem para si ao longo de sua trajetória, uma construção que acompanha o desenvolvimento da(s) identidade(s), em contextos atravessados por uma cultura e por demandas sociais que se articulam, ora para promover, ora para constranger seus desejos" (BRASIL, 2019, s/p).

Tais abordagens também estão de acordo com os Temas Contemporâneos Transversais (TCTs) da BNCC, hoje ampliados para 15 e distribuídos em seis macro áreas, com maior relevância nos temas “Multiculturalismo” e “Cidadania e Civismo”. Sendo transversais, perpassam todas as áreas de conhecimentos currículo do Ensino Médio e podem ser trabalhados por todas/es/os profissionais, sem que seja necessário estar o vínculo a uma ou outra disciplina:“por se referirem a assuntos que atravessam as experiências dos estudantes em seus contextos, contemplam aspectos que contribuem para uma formação cidadão, política, social e ética” (BRASIL, 2019, p.11).


Fundamentação Teórica de Apoio a Docentes


Este projeto interdisciplinar aborda gênero amparando-se principalmente nas formulações de Joan Scott (1995). O conceito proposto pela autora rompe com determinismos biológicos, uma vez que remete a significações que vão além dos corpos sexuados. Isso possibilita compreender representações presentes nas ideias e valores em diversos campos: nos padrões de comportamento aceitos para homens e mulheres, nas leis, na produção científica, na política, na identidade individual e coletiva e na educação recebida por meninas e meninos.

Tomando o conceito de gênero como uma lente para observar as relações sociais, este projeto atenta também para o fato de que as violências são atravessadas por diferentes questões presentes no cotidiano da escola, e, com isso, julga-se imprescindível adotar uma perspectiva interseccional, abordando marcadores como raça e sexualidade.

As significações e o entendimento acerca das diferenças influenciam as relações estabelecidas na instituição escolar. Nesse cenário a escola representa importante meio de reprodução ou superação de processos discriminatórios ligados à diversidade. Preconceitos e discriminações que envolvem gênero, raça e sexualidade são, também, motivadores de violência no cotidiano escolar, como demonstra a pesquisa coordenada por Abramovay (2009), intitulada “Revelando tramas, descobrindo segredos: convivência e violência nas escolas”. Quanto à homofobia, constatou-se que esta se baseava em concepções conservadoras estruturadas sobre a heteronormatividade. A pesquisa demonstra que mais da metade dos estudantes e dos professores declararam já terem presenciado cenas discriminatórias contra pessoas que são ou parecem ser homossexuais (p. 427-428). O estudo desvela também que as relações raciais se estabelecem de formas assimétricas no ambiente escolar e fora dele.

"Os dados indicam que mais da metade dos estudantes já presenciou alguma forma de manifestação de preconceito racial dentro dos colégios. As falas vão além da simples constatação da existência do preconceito e apontam, também, para situações de constrangimento e exclusão, principalmente de pessoas negras do convívio social, com prejuízo para a vida escolar. Foram numerosos os comentários referentes aos apelidos e xingamentos discriminatórios" (ABRAMOVAY, 2009, p. 429)

E, no que se refere à desigualdade entre meninas e meninos, a pesquisa aponta a permanência de normas excludentes, no que diz respeito às relações entre meninas e meninos, como atividades escolares fortemente marcadas pelo sexismo e carregadas de "Ideias de que existem conjuntos de características que seriam próprias majoritariamente de homens ou de mulheres, existindo, por vezes, uma atribuição polarizada de diferenças de gênero, que tem como consequência a criação de arranjos sociais desiguais entre os alunos" (ABRAMOVAY, 2009, p. 431).

Metodologia

Propõe-se uma abordagem interativa, com o uso de explanação, rodas de conversa, tempestade de ideias, audição de músicas e apresentação de vídeos. Os encontros devem contar com a participação ativa de estudantes, partindo sempre do conhecimento prévio acerca das temáticas propostas.

 

1° PARTE: Gênero e Diversidade na Escola


Momento 1


Entendendo sobre diversidade (50min)

- Apresentar o vídeo Racist Glasses (0:58)


- Roda de Conversa: Óculos do preconceito

Discutir o vídeo com a turma a partir do ponto de vista da diversidade cultural e étnica falando sobre o fato de que diferenças típicas de uma sociedade plural são transformadas em desigualdades.

- Dinâmica: Representações Sociais

A partir da reflexão do vídeo, pedir para a turma fazer uma lista de representações que comumente são associadas aos seguintes grupos: mulheres negras, mulheres indígenas, indígenas no geral, homossexuais, pessoas trans, homens brancos, mulheres brancas.
(Talvez não haja representação pejorativa ou com estereótipos negativos para os dois últimos grupos e isso deve ser problematizado. Lembrar do vídeo assistido e destacar que as pessoas brancas - o primeiro caso do vídeo - não são discriminadas socialmente por serem hipster ao algo do tipo, mas os demais grupos mencionados sofrem preconceitos advindos destas representações).

 

Momento 2


Gênero e desigualdade entre homens e mulheres (50min)

- Dinâmica: Tempestade de Ideias
Pedir que as/os estudantes escrevam em um papel o que, para elas/es e a partir de suas experiências, vem a ser “gênero”. Após isso, com uso de uma fita crepe, pedir que colem em um local determinado (lousa, parede da sala, etc.) para que toda turma possa observar as compreensões das/os colegas
Com as informações apresentadas problematizá-las a partir do conceito de gênero como construção social (você pode encontrar uma definição simples no livro “Diferenciando Baladas de Ciladas”, página 21, ou no Caderno do GDE).

- Dinâmica: Identificando as relações desiguais
Separar a turma de acordo com os temas: mundo do emprego, educação e vida escolar, vida social - lazer, educação familiar, religião e esporte. Solicitar que, de acordo com o tema de seu grupo, as/os estudantes escrevam em um cartaz as percepções dessas diferenças, como por exemplo: reconhecimento das mulheres no futebol, menos homens na educação infantil, mais liberdade para os meninos dadas pela família etc. Podem usar recortes e desenhos.
*A pessoa que estiver ministrando a atividade deve fazer uma lista prévia para que no debate das apresentações aponte algo que não tenha sido lembrado a fim de dar mais consistência. Não esquecer de problematizar a questão das pessoas LGBTQIA+ em todas, caso não seja apresentado pela turma.

- Finalização
Apresentar o vídeo: Igualdade de Gênero (2:36) da ONU Mulheres Brasil


 

Momento 3


Racismo e privilégio (50min)

- Roda de Conversa: Vista minha pele

Apresentar o vídeo: “Vista Minha Pele” (24:33)


Promover uma discussão com a turma a partir de questionamentos como: O vídeo apresenta uma realidade? Qual o objetivo do vídeo? Que mensagem o título passa? Você já praticou racismo? Por que julga ser alguém que pode ser racista com outra pessoa? O que acha que motiva o racismo? Já sofreram racismo? Como sentiram-se com isso?

- Dinâmica: Corrida do Privilégio
Dependendo do tamanho da turma e da disponibilidade das/os estudantes, pode ser realizada com a turma toda, porém caso algumas pessoas não queiram, ou se for inviável fazer com todas, selecionar um grupo, o mais misto possível.
Alinhar em igualdade todas/os participantes e solicitar que, à medida que for falando, a pessoa que se identificar com o que foi dito, deve dar dois passos à frente.
*As questões devem ser contextualizadas a partir da realidade das escolas, porém com enfoque no racismo x privilégio branco. Para tanto deixamos como fonte o vídeo “Corrida do Privilégio” para dar embasamento:


Após a dinâmica ou o vídeo discutir sobre quem são as pessoas que mais avançaram. Quais motivos fazem com que isso aconteça. O que pode ser feito para que haja mais igualdade. É importante ouvir a turma.

 

Momento 4


Diversidade sexual: escola sem homofobia (2 aulas de 50min)

- Leitura

Ler para a turma o texto “No país de Blowminsk” e ao final realizar um debate dirigido a partir das seguintes questões: Nossa sociedade se parece com “Blowminsk”? Vivemos situações semelhantes em nosso cotidiano, com os papéis invertidos? Que atitudes são mais comuns em nossa realidade, diante desse tipo de situação? As pessoas que vivem os seus desejos afetivos e sexuais de forma considerada ‘fora do padrão’ tendem a ser excluídas?

- Dinâmica: O Julgamento

Apresentação do vídeo: “Encontrando Bianca” (3:40)


Dividir a turma em três grupos: Um de apoio à Bianca (Defesa), um contrário (acusação) e um para ser espectador (júri). Para que possam problematizar e cada grupo reunir seus argumentos a questão central é se Bianca deve ou não ser aceita na escola como ela é. Podem usar cartazes, com imagens e frases. Após as exposições de defesa e acusação, o júri deve pronunciar sua sentença de forma argumentativa.

- Roda de Conversa: “E se fosse com você?”

Apresentação do vídeo: “E se fosse com você? Por que criminalizar a homofobia?” (6:26)


 

Levantar uma discussão iniciada pela pergunta: E se fosse com você? Após ouvir as falas que devem ser livres, questionar se acreditam ser justo que a homofobia também seja criminalizada: as respostas precisam ser justificadas. Pensar se as agressões são diferentes somente pela questão da sexualidade. A homofobia encontra respaldo na sociedade? Para vocês que diferença faz se sua amiga ou seu amigo é homossexual?

- Pesquisa: Homofobia é crime?

Solicitar que as/os estudantes pesquisem na internet sobre a criminalização da homofobia acontecida em 2019 no Brasil. A pesquisa pode ser apresentada em forma de texto crítico em que contenha as seguintes informações: Como aconteceu a criminalização?; Existe uma lei específica para crimes de homofobia? O que pensa sobre isso?; Quantos países do mundo já criminalizam a homofobia?; Qual é a realidade vivenciada por pessoas LGBTQIAP+ no Brasil?

 

Momento 5


Empoderamento feminino (2 aulas de 50min)

- Bate-papo: Padrões de beleza
Discutir com toda a turma os padrões de beleza que são impostos às meninas.
Podem ser levada revistas, projetadas imagens ou mesmo fazer uma apresentação em slides que demonstrem como a mulher vem sendo representada na mídia, nas propagandas etc. Problematizar a objetificação do corpo e exigências. As exposições das mulheres que, por algum motivo, são julgadas como fora do padrão: engordaram, estão com celulite etc. Isso acontece com os homens? Com a mesma frequência?

*É interessante a opinião e fala também dos meninos, sobre como veem a representação feminina e o que pensam sobre ela
*Dar destaque à questão da menina e mulher negra. Elas figuram nas capas das revistas? Que papeis representam nas novelas, nas propagandas? Falar das mudanças e da maior inserção que vem acontecendo

- Roda de Conversa: Ruim é seu preconceito!
Apresentação de vídeo com o poema “Pixaim Elétrico” de Cristiane Sobral (do Livro O Tapete Voador)

Ouvir meninas e meninos, negras/os e não-negras/os sobre essa questão: O que as meninas negras vivenciam por conta de seus cabelos? Os meninos permitem que o cabelo cresça um pouco ou sempre cortam bem baixinho? Levantar questões a partir das falas

- Leitura

Indicar o artigo de bell hooks, Alisando Nosso Cabelo.

- Dinâmica: Eu entendo?
Levar frases recortadas, dobrar e colocar em uma caixa, como para um sorteio. Convidar estudantes – meninas e meninos, individualmente e até que acabem, a pegar um papel, ler para a turma e explicar o que entende sobre a frase escrita. No momento em que estiver falando pede-se silêncio, porém após a explicação pode-se ouvir outras/os que discordam ou que entendem de outra forma. Intervir, quando necessário, para orientação correta da mensagem a ser passada.

FRASES: Não é não; Meu corpo, minhas regras; A culpa nunca é da vítima; Lugar de mulher é onde ela quiser; Meu cabelo é uma coroa; Morena não, negra; Minha roupa não é um convite; Não existe mulher que gosta de apanhar; Existem as mulheres fortes e aquelas que ainda não descobriram sua força; Não me dou o respeito, ele já é meu por direito; Seja a mulher da sua vida; Tire seus padrões do meu corpo; Toda mulher é mulher de verdade; etc.

 

2ª PARTE: NAMORO E VIOLÊNCIAS


Momento 1


Papeis de Gênero (Aula de 50min)

- Roda de Conversa: Um sonho impossível?

Apresentação do curta “Acorda Raimundo, Acorda!” (22:12)

Após assistirem levantar os seguintes questionamentos com a turma: Qual a sensação que tiveram ao assistir o vídeo? Quão atual esse vídeo de 1990 ainda é? Quais avanços as mulheres já conseguiram alcançar? Como os homens reagem a mulheres independentes?
O que define uma pessoa estar apta ou não a desenvolver uma atividade doméstica ou profissional?

- Atividade: as/os estudantes deverão fazer uma lista de coisas que elas/es fazem e que são consideradas como do gênero oposto e outra lista com atividades que gostaria de fazer, mas não faz por conta de seu gênero, por receio ou medo

Fazer uma Roda de Conversa a partir das listas problematizando quais são os principais impedimentos e medos. Comparar os medos das meninas com os dos meninos. Refletir sobre como a questão social se sobrepõe ao biológico.

 

Momento 2


Masculinidade tóxica (2 aulas de 50min)

- Tempestade de ideias: Homem Não chora
Perguntar se já ouviram falar em masculinidade tóxica e o que entendem sobre isso. Se acham que o machismo também é ruim para os homens ou só para mulheres e os motivos de pensarem de tal modo.

A partir da sentença “Homem não chora” questionar à turma sobre o que pensam disso e o que pode acarretar para a identidade dos meninos ter de crescer sem poder demonstrar seus sentimentos. Pedir que as/os estudantes falem sobre outras expressões e fatos que indiquem essa privação de sentimentos direcionada aos meninos e também condicionamentos por conta do gênero, como: menino não brinca de boneca, se não ficar com tal menina é gay, não pode fazer atividades domésticas, ser vaidoso etc.

- Análise de vídeo
Apresentar o vídeo: “Masculinidade tóxica, violência doméstica e machismo” - Quebrando o Tabu (4:32)


Pedir que ao assistirem as/os estudantes vão anotando expressões que chamaram atenção enquanto assistem ao vídeo para serem discutidas quando da finalização, como: “mulher gosta é de macho” etc. Pedir que deem sua opinião sobre essas falas

- Dinâmica: Saudável x Tóxico

Apresentar o vídeo “Contra o machismo e a ‘masculinidade tóxica’” (1:48)


 

Dividir a lousa em duas partes: em uma delas escrever ações saudáveis e na outra ações tóxicas e pedir que a turma vá apontando tais ações conforme apresentadas no vídeo, pedir outras que não estão no vídeo

- Pesquisa: “Eu respeito as mulheres?”

Para finalização desse momento, distribuir ou ler e pedir que os meninos vão marcando. Se for distribuir os meninos podem optar por fazer na sala ou em casa. As respostas não serão cobradas e não precisam ser apresentadas para a turma. Somente se algo surgir é que deve ser realizado uma conversa sobre. Acesse o questionário

 

Aula 3: Tipos de violências contra a mulher (50min)

- Explanação
Apresentar os cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher previstos na Lei Maria da Penha: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial. Podem ser usados slides ou apenas a lousa
*Pode ser pesquisado no site Instituto Maria da Penha 

- Atividade: Criando uma paródia

Audição da Música “Ciumento Eu?” de Matheus e Kauan
Para melhor acompanharem entregar a letra impressa após dividir a turma em grupos ou individualmente. Solicitar que a turma identifique que tipos de violência são identificados na letra da música problematizando com a explicação anterior

Pedir que a turma se divida em grupos e criem uma paródia para a música ou outra que conhecerem e julgarem machista e/ou sexista

- Leitura

Indicar a leitura da Cartilha “Vamos Conversar: Cartilha de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres”

*Nessa cartilha poderão ser observados exemplos de violência: assédio no trabalho, violência contra pessoa idosa, mulher trans etc.

 

Momento 4


Identificando a violência no namoro (Aula de 50min)

- Roda de conversa: O amor não machuca!

Apresentação do vídeo campanha contra a violência no namoro “Quem te ama, não te agride!”


Realizar uma roda de conversa sobre como as meninas e os meninos percebem ações como: Controle do uso do celular da/o parceira/parceiro; controle sobre o que pode ou não vestir; afastar a/o namorada/namorado de amigas e amigos; ter ciúmes da família e até fica chateado se você se sai bem em alguma prova ou algo do tipo chamando a atenção. Percebem que também são violências? Como essas ações tem a ver com os cinco tipos de violência? Por que as meninas continuam nessa situação? (Chamar atenção para o fato de que, mesmo em uma escala muitíssimo menor, também os meninos passam por isso. Não esquecer de falar sobre os casais homoafetivos em que uma das pessoas pode ser essa figura dominadora).

- Estudo de Caso: A história de Léo e Bia

A partir do livro “Diferenciando Baladas de Ciladas: um guia para o empoderamento de adolescentes em relacionamentos íntimos” de Sheila Murta, apresentar a história em quadrinho de Léo e Bia. Para isso pode ser projetado, apresentado em slides ou impresso e entregue individualmente, em grupos ou, ainda, pedir que estudantes encenem ou você e uma/um estudante.

Análise: Como começa essa relação? Há sinais de que algo está mudando, ficando ruim? Acontece algum tipo de violência? Como acham que essa história pode acabar?

- Atividade: Dividir a turma em grupos e pedir que escrevam finais para a história, em forma de HQ. Direcionar para que tenham finais diferentes nos grupos e de acordo com a decisão de Bia. O final deve ser apresentado para a turma.

 

Momento 5


Namoro e Rede de Apoio

- Análise crítica de vídeo
Apresentação do vídeo “Não confunda amor com abuso” (2:45)


- Atividade: Conhecendo minha relação
A partir da Cartilha “Vamos conversar” imprimir, ler ou apresentar o questionário disponibilizado nas páginas 37 e 38 e discutir com a turma os tópicos. Após solicitar que meninas e meninos façam o preenchimento. Os resultados não precisam ser apresentados para a turma, é de foro íntimo.

- Roda de Conversa: Crie uma Rede de Apoio

Conversar com a turma a respeito da frase: “Em briga de namorad@s não se mete a colher!”. Perguntar o que pensam sobre. Se já presenciaram algum tipo de violência nos namoros de colegas. O que acham de dar conselhos. Se percebem que o relacionamento de uma colega está a oprimindo, o que fazem?

Conversar acerca da importância das relações sociais na adolescência. De ter amigas/os para conversar e falar sobre suas angústias, anseios e alegrias. Que não é sadio se isolar apenas com a namorada ou namorado.

Quem pede para você se isolar, também se afasta de suas amizades? O que está sendo cobrado de você também está sendo realizado pelo seu parceiro? (Problematizar que não é sadio em nenhum dos dois casos)

- Finalização
Apresentar com o vídeo “Estou atent@ à violência no namoro” (2:10)

Recursos Necessários

Humanos: professoras/es de todas as disciplinas que tenham afinidade e conhecimento dos temas, assim como orientadoras/es, psicopedagogas/os, psicólogas/os escolares.

Materiais:

  • Papel para impressão

  • Materiais escolares usuais (lápis, borracha, canetinhas, tesoura etc.)

  • Retroprojetor, TV ou aparelho de som - em caso de presencial

  • Acesso à internet e aparelho de celular ou notebook - em caso de ensino remoto.

Duração Prevista

12 encontros de 50 minutos (mínimo)

Sugere-se realizar um encontro semanal durante um período de dois ou três meses.

Processo Avaliativo

A avaliação será processual e formativa por meio de observação da participação de estudantes em todas as atividades propostas de modo a identificar o envolvimento com os conteúdos apresentados.

Os resultados mais esperados poderão ser avaliados durante um período de tempo além do que este projeto prevê.

Como culminância será solicitado que as/os estudantes construam vídeos, fanzines, folders, poemas, músicas etc. sobre o que foi aprendido e abordado no projeto. É importante que os trabalhos resultantes utilizem diferentes recursos.

Observações

O projeto pode ser implementado também no ensino remoto, bastando apenas uma adaptação por parte das/es/os profissionais que irão implementar a proposta.

Referências Bibliográficas

ABRAMOVAY, Miriam; CUNHA, Anna Lúcia; CALAF, Priscila Pinto. Revelando tramas, descobrindo segredos: violência e convivência nas escolas. Brasília: Rede de Informação Tecnológica Latinoamericana - RITLA, Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal - SEEDF, 2009.
AUAD, Daniela. Educando meninas e meninos: Relações de gênero na escola. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2016.
BENTO, Berenice. Na escola se aprende que a diferença faz diferença. Estudos Feministas, Florianópolis, 19(2): 548-559, maio/agosto, 2011.
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Ministério da Educação. Brasília, DF, 2018.
____. Gênero e diversidade na escola: formação de professoras/es em Gênero, Sexualidade, Orientação Sexual e Relações Étnico-Raciais. Livro de conteúdo. Versão 2009. Rio de Janeiro: CEPESC; Brasília: SPM, 2009. Disponível em:
____. Temas Contemporâneos Transversais na BNCC: Contexto Histórico e Pressupostos Pedagógicos 2019. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica, 2019.
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CORRÊA, Sonia. O conceito de gênero: teorias, legitimação e uso. In: BARNSTED, Leila Linhares; PITANGUY, Jacqueline. (orgs.). O Progresso das Mulheres no Brasil 2003-2010. Rio de Janeiro: CEPIA; Brasília: ONU Mulheres, 2011.
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LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. Petrópolis: Vozes, 1997.
MACEDO, Aldenora Conceição. Gênero, Raça e Feminicídio: Discutindo interseccionalidade em pesquisas estatísticas e para políticas públicas. IV Simpósio Gênero e Políticas Públicas. Disponível em: http://www.uel.br/eventos/gpp/pages/arquivos/GT5_%20Aldenora%20Concei%C3%A7%C3%A3o%20de%20Macedo.pdf
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MACEDO, Aldenora Conceição; D´AVILA, Renata Almeida. Do lugar de onde venho a resistência não começa na ocupação, ela vem de antes: As adolescentes e a interseccionalidade de gênero, sexualidade, raça e classe no contexto das ocupações. Revista Com Censo: Estudos Educacionais do Distrito Federal, 2019. Disponível em: http://periodicos.se.df.gov.br/index.php/comcenso/article/view/701
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MURTA, Sheila Giardini et al. Prevenção à violência no namoro e promoção de habilidades de vida em adolescentes. Revista de Psicologia da USP, 2013.
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OLIVEIRA, Q. B et al. Amor e violência: um paradoxo das relações de namoro e do “ficar” entre jovens brasileiros. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz.
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SOBRAL, Cristiane. O tapete voador. Rio de Janeiro: Malê, 2016.

-Para o desenvolvimento deste projeto:

MURTA, Sheila Giardini et al. Diferenciando baladas de ciladas: um guia para o empoderamento de adolescentes em relacionamento íntimos. Brasília: Letras Livres, 2011. Disponível em http://www.geppsvida.com.br/wp-content/uploads/2015/08/Diferenciando-baladas-de-ciladas.pdf
HOOKS, Bell. Alisando nosso cabelo. Mulher Negra. Portal Geledés, 2014. Disponível em: https://www.geledes.org.br/alisando-o-nosso-cabelo-por-bell-hooks/
ONU. Vamos conversar? Cartilha de enfrentamento da violência doméstica e familiar contra as mulheres. ONU MULHERES, 2016. Disponível em http://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2016/04/CARTILHA_DF.pdf"

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