Bela, Fernão: brincando com forças, afetos e possibilidades de ser

Estado: Acre (AC)

Etapa de Ensino: Educação Infantil - Pré-Escola

Modalidade: Educação Regular

Disciplina: Língua Portuguesa

Formato: Presencial

Mestra em Educação e Ensino pelo Programa de Pós-graduação Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE), pela Universidade Estadual do Ceará-UECE. Servidora Pública no Município de Itaiçaba-Ceará.

Doutora em Educação pela Universidade Federal do Ceará-UFC. Possui pós-doutorado na École des Hautes Études en Sciences Sociales-EHESS / Paris. Professora Associada da Universidade Estadual do Ceará -UECE, e no Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE/UECE)

Mestra em Educação e Ensino pelo Programa de Pós-graduação Mestrado Acadêmico Intercampi em Educação e Ensino (MAIE), pela Universidade Estadual do Ceará. Servidora Pública nos Municípios de Russas e Limoeiro do Norte.

Licenciada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará, Mestrado e Doutorado em Linguística pela Unicamp e pós-doutorado em Semântica/Pragmática também pela Unicamp. Atualmente é professora permanente do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da UECE, e professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino (PPGEEN) da UECE.

Objetivos


  • Promover a reflexão sobre diversidade, quebra de estereótipos de gênero e valorização das diferenças por meio da história Bela, a Fera, e Fernão, o Belo, explorando a personalidade forte de Bela e a sensibilidade de Fernão em atividades lúdicas e colaborativas.

  • Reconhecer e valorizar diferentes personalidades (força, sensibilidade, coragem, delicadeza) como qualidades complementares a qualquer pessoa, independente do gênero.

  • Discutir profissões e atividades que tradicionalmente são associadas a homens ou mulheres por características como força e sensibilidade.

  • Promover a participação das famílias em um momento gastronômico lúdico, incentivando a cooperação e a valorização de diferentes habilidades (ex.: homens e mulheres cozinhando juntos).

Conteúdo


  • Desconstrução de papéis de gênero.

  • Empatia e respeito entre amigos.

  • Profissões não estereotipadas (mulheres em trabalhos de força, homens em afazeres domésticos e demonstrando sensibilidade).

  • Respeito às diferenças e semelhanças entre as pessoas (físicas e emocionais) independente do gênero.


Referência cultural

O livro infantil Bela, a fera, e Fernão o Belo é uma obra da literatura infantil contemporânea, recontada a partir da obra clássica: A Bela e a Fera. O mesmo é de autoria da escritora Janaina Tokitaka e ilustrada por Flávia Borges.

A obra compõe a coleção “Canoa” a qual tem por objetivo geral democratizar o acesso da literatura infantil de qualidade a um preço popular para seus leitores, assim como, incentivar a criança a pensar e desconstruir os papéis de gênero.

Na obra é possível perceber o contraste entre as personalidades de Bela e Fernão, as quais desafiam a lógica dos estereótipos de gênero socialmente atribuídos ao ser homem e mulher. Bela apresenta-se como uma princesa de porte físico forte, que gostava de comer com as mãos, esmagar pedras com os dedos e usar roupas que demonstram uma identidade própria: bermuda de moletom e tênis.

No enredo, a princesa não se incomoda de não ser delicada como é característico das princesas tradicionais descritas, e isso é reforçado em elementos como sua risada ou mesmo quando acaba quebrando as louças de cristal sem querer.

Enquanto Bela é descrita como uma jovem forte que esmaga pedras do jardim usando os dedos, Fernão é apresentado como um jovem que gosta de arranjos de flores e poesia.

Comparado ao livro clássico, vemos que a descrição dos personagens passa por alterações, levando em consideração que a Fera (príncipe) é vista como o único personagem forte da trama. Porém, o ponto alto da história adaptada, está no fato de que ambos os personagens se respeitam como são, não houve transformação por parte da Bela, assim como do Fernão, para que pudessem viver felizes para sempre como um casal apaixonado.

Com isso, defendemos que a “Igualdade entre as pessoas não é anular as nuances e as diferenças existentes entre elas, mas garantir que tais variações não sejam usadas para se estabelecer relações de poder, hierarquia, violências e injustiças” (LINS; MACHADO; ESCOURA, 2016, p. 24).

Portanto, o livro mencionado demonstra aspectos que estão intrinsecamente ligados á produção de debates que desmentem “verdades” de “histórias únicas” (ADICHIE, 2019) criadas para manter em vigência o patriarcado e seus ditames entre todos, inclusive crianças, quando se trata de masculinidades e feminilidades, as quais não são vistas como plurais.

Metodologia

No primeiro dia, realizaremos no início da aula a narrativa da história Bela, a fera, e Fernão, o belo. Convidando as crianças a sentarem em roda conosco, apresentaremos o teatro de sombras, recurso pedagógico usado para dramatizar a narrativa neste momento, e que utiliza luz e sombra sobre os personagens em palitoches.

Introduziremos o livro infantil através da música: No palácio encantado, a qual também pode ser lida em forma de poema:

No palácio encantado morava uma fera

A princesa bela que não era cinderela

Ela era forte e grande e muito legal

O que ela mais gostava era o seu jeito especial

No palácio encantado morava o Fernão,

Um menino cozinheiro de grande coração,

Bela e Fernão não eram nada parecidos

Mas mesmo diferentes se tornaram bons amigos.

(Autoras: Tânia Maria e Mila Nayane)

Após esse momento, motivaremos as crianças ainda em roda a nos contarem suas percepções sobre a história, através de perguntas temáticas que serão melhor exploradas no processo avaliativo desta sequência.

Finalizado este momento, convidaremos as crianças a participarem do ateliê de brincadeiras de Bela e Fernão, um espaço organizado para que as crianças brinquem de ser os personagens da história.

Para isso, prepararemos neste ateliê três contextos investigativos que explorem elementos simbólicos da narrativa:

Contexto 1 - Motor

Circuitos motores com desafios com tatames para rolar, almofadas para pular, cabos de guerra, boliche, torres com copos e depósitos de plástico.

Contexto 2 - Faz de conta de cozinha

Espaço organizado com elementos de cozinha: fogões de brinquedo, mesinhas, panelinhas, talheres, depósitos, alimentos em brinquedos, trajes de cozinheiros.

Contexto 3 - Representação

Folhas em branco, materiais riscantes diversos, imagens impressas dos personagens da história, de mulheres exercendo trabalhos que exigem força e de homens trabalhando como cozinheiros para que as crianças observem, façam suas colocações livres e os ilustrem à sua maneira.

Finalizado este momento, convidaremos as crianças a fazerem uma listagem sobre as receitas que elas gostariam de preparar caso fossem o Fernão. Enquanto esse momento é desenvolvido, buscaremos explorar com elas a escrita dessas palavras, em sua composição linguística, concretizando esta experiência através do desenho do prato que gostariam de cozinhar. Ao final, organizando essas produções para formarmos um livro de receitas da turma.

Na finalização da aula, informaremos as famílias sobre o desenvolvimento desta atividade e convidaremos as mesmas a participarem com as crianças de um momento gastronômico a ser realizado na aula seguinte. A experiência consistirá em crianças e famílias pensarem em receitas fáceis de fazer e realizarem elas coletivamente, vindo no final deste momento a prepararmos uma partilha coletiva com todos.

Recursos Necessários


  • Livro Bela, a fera, e Fernão o Belo físico.

  • Teatro de sombras.

  • Lanterna ou projetor de luz.

  • Silhuetas dos personagens em palitoches.

  • Cordas resistentes.

  • Garrafas pets e bola leve.

  • Copos e depósitos plásticos.

  • Fogãozinho de brinquedo ou caixas personalizadas e materiais de cozinha.

  • Alimentos de brinquedo.

  • Aventais e chapéus de cozinheiro.

  • Folhas em branco A4 e cartolinas.

  • Materiais riscantes.

  • Imagens.

Duração Prevista

Para esta sequência didática serão necessários dois dias:

  • 1º dia - 4 horas.

  • 2º dia - 2 horas.

Processo Avaliativo

Tendo em vista uma avaliação criteriosa e que visa perceber elementos a partir da desconstrução de estereótipos de identidades de gênero, das ditas masculinidades e feminilidades, o processo se dará via produção de um portfólio com as fotos, observações feitas durante as atividades e culminância da sequência didática, o qual partirá das seguintes perguntas norteadoras:

  • O que vocês acharam de Bela ser forte e Fernão gostar de cozinhar? Alguém já viu coisas parecidas na vida real?

  • Por que é legal ter amigos diferentes?

  • Por que será que algumas pessoas estranham meninas fortes ou meninos chorarem?

  • Você já fez algo que as pessoas dizem ser "coisa de menino" ou "coisa de menina"?

  • O que você tem de parecido com Bela ou com Fernão?

Referências Bibliográficas

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas: um manifesto. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. O perigo de uma história única. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

LOURO, Guacira Lopes. Gênero, sexualidade e educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 6. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

FELIPE, Jane; GUIZZO, Biaca Salazar; BECK, Dinah Quesada (org.). Infâncias, gênero e sexualidade nas tramas da cultura e educação. Canoas: Ed. ULBRA, 2013.

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