Versos que Libertam: escrevivências e identidade de gênero nas margens

Estado: São Paulo (SP)

Etapa de Ensino: Ensino Médio

Modalidade: Educação de Jovens e Adultos

Disciplina: Artes, Língua Portuguesa

Formato: Presencial

Produtora cultural, professora e educadora em Caçapava. É conselheira de cultura na cadeira da Literatura, Agente Territorial de Cultura da região imediata de São José dos Campos, mentora na Fundação Wadhwani e na Aliança Empreendedora, e parecerista da Revista de Educação Popular da UFU. Idealiza projetos como o Quebrada Literária e o Poetizando no Parque, que unem arte, literatura e promoção dos direitos humanos nas periferias do município.

Objetivos


  • Promover a reflexão crítica e a valorização da igualdade de gênero na Educação Básica por meio da leitura e da produção de textos literários que abordem identidades, diversidade e desigualdades, incentivando o protagonismo dos estudantes e o reconhecimento das múltiplas vivências de gênero, raça e sexualidade.

  • Estimular a compreensão e o debate sobre as desigualdades de gênero e suas interseccionalidades com raça e diversidade sexual.

  • Incentivar a leitura de obras literárias que representem diferentes experiências e narrativas periféricas e marginalizadas.

  • Fomentar a produção autoral dos estudantes, fortalecendo a expressão da identidade e a criatividade literária.

  • Promover espaços de escuta, diálogo e compartilhamento cultural dentro e fora da escola, valorizando a cultura local e a oralidade.

Conteúdo


  • Igualdade de gênero e suas interseccionalidades com raça e diversidade sexual.

  • Conceito de escrevivência e identidade cultural.

  • Literatura periférica e marginalizada: poesia, contos e crônicas.

  • Expressão e resistência por meio da linguagem literária.

Metodologia

A atividade se desenvolve por meio de oficinas literárias que combinam leitura, reflexão e produção textual, com o objetivo de ampliar a compreensão crítica dos estudantes sobre questões de gênero, raça, sexualidade e identidade cultural.

Inicialmente, a educadora apresenta obras literárias selecionadas, incluindo poesias, contos e crônicas de autoras e autores periféricos e representativos da diversidade, que abordam temas como desigualdade, resistência e protagonismo. Essa etapa busca sensibilizar e despertar o interesse dos estudantes para os temas trabalhados, promovendo um ambiente de respeito e escuta ativa.

A partir das leituras, são promovidos debates orientados, nos quais os estudantes compartilham suas impressões, relacionam os conteúdos com suas vivências e problematizam conceitos como gênero, identidade, interseccionalidade e discriminação. A educadora se prepara para mediar esses diálogos, estimulando o pensamento crítico e a empatia, e permanece atenta a possíveis desconfortos ou preconceitos que possam surgir, garantindo um espaço seguro e acolhedor para todos.

Em seguida, os estudantes produzem suas próprias escritas autorais, poesias, contos ou crônicas, expressando vivências, reflexões e expectativas sobre igualdade de gênero e outras dimensões sociais abordadas. Essa produção conta com orientações sobre técnicas literárias, organização de ideias e o uso da linguagem como instrumento de expressão e resistência. O processo criativo é valorizado mais que a correção formal, fortalecendo a autoestima e o protagonismo dos estudantes.

Além das oficinas, a metodologia prevê momentos de compartilhamento coletivo, como saraus, rodas de leitura e exposições, que valorizam a cultura local e a oralidade. Esses eventos promovem a circulação das produções dos estudantes e o reconhecimento de suas vozes, ampliando o impacto pedagógico da atividade para além da sala de aula.

Para garantir a efetividade da proposta, a educadora reflete antecipadamente sobre o contexto sociocultural dos estudantes, suas experiências prévias com os temas, as possíveis resistências ou preconceitos presentes no ambiente escolar e estratégias para promover inclusão e diversidade. Ela se prepara para lidar com conflitos e para oferecer apoio emocional, especialmente ao tratar de temas sensíveis como violência de gênero e discriminação racial.

Utiliza-se também recursos multimídia, como vídeos, músicas e imagens, para enriquecer as discussões e aproximar a literatura da cultura popular, facilitando a identificação dos estudantes com os temas. A metodologia permanece flexível, adaptando-se às necessidades e ritmos da turma, valorizando o diálogo e a participação ativa.

A atividade articula leitura crítica, produção literária e práticas culturais, fortalecendo a consciência social dos estudantes e promovendo uma educação inclusiva, plural e transformadora.

 

Referência cultural:

Uma das principais referências culturais que trabalho para o desenvolvimento da atividade é o livro Olhos d’Água, de Conceição Evaristo. A obra reúne contos marcados pela perspectiva da escrevivência, em que memórias, vivências e identidades negras são narradas com sensibilidade, força e denúncia.

A referência cultural utilizada é o livro Olhos d’Água, da escritora Conceição Evaristo, uma das vozes mais potentes da literatura brasileira contemporânea. A obra reúne uma série de contos curtos, cujo foco recai sobre as experiências de mulheres negras, pobres e periféricas, revelando suas dores, afetos, resistências e sobrevivências no cotidiano marcado pela desigualdade social, pelo racismo estrutural e pela violência de gênero.

A obra Olhos d’Água, de Conceição Evaristo, é inserida na metodologia como ponto de partida para a sensibilização e reflexão crítica sobre as questões de gênero, raça e desigualdade social. Ao trabalhar contos selecionados da coletânea nas oficinas literárias, a educadora propõe aos estudantes uma leitura que parte da escuta das vozes marginalizadas, especialmente de mulheres negras e periféricas, criando conexões entre as experiências narradas e a realidade vivida por muitos jovens da Educação Básica.

A leitura dos contos promove a identificação dos estudantes com os personagens, favorecendo o desenvolvimento da empatia e a valorização das narrativas silenciadas. Por meio das personagens femininas de Evaristo, os alunos entram em contato com temas como violência de gênero, abandono, maternidade solo, racismo, exploração do trabalho doméstico e afetividade, o que enriquece os debates em sala sobre a interseccionalidade entre gênero, classe e raça.

Durante as discussões orientadas, a obra funciona como disparador para reflexões coletivas e individuais, permitindo à turma pensar criticamente sobre os papéis de gênero construídos socialmente e os impactos desses estereótipos na vida das mulheres negras. A educadora conduz o processo com escuta ativa e acolhimento, promovendo um espaço seguro de fala.

Na etapa de produção textual, os estudantes são estimulados a produzir contos, poemas ou crônicas inspiradas no estilo de Evaristo, valorizando a oralidade, a memória e as vivências próprias, fortalecendo seu protagonismo e autoestima.

Recursos Necessários


  • Cópias de contos selecionados da obra Olhos d’Água, de Conceição Evaristo (impressas ou digitais).

  • Cadernos ou folhas para anotações e produção textual.

  • Canetas, lápis e borrachas.

  • Aparelho de som.

  • Projetor ou televisão (para exibição de vídeos e imagens).

  • Cartolinas, pincéis, canetões e materiais artísticos (para cartazes, murais ou exposição das produções).

Duração Prevista

4 encontros de 2 horas cada, totalizando 8 horas de atividade.

Processo Avaliativo

A avaliação será realizada de forma contínua e formativa, considerando a participação ativa dos estudantes nas rodas de leitura, debates e oficinas de escrita. Serão observados o envolvimento nas discussões, o respeito às diferentes opiniões, o desenvolvimento do pensamento crítico e a expressão criativa durante as produções textuais.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 22 mar. 2026.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). Jurisprudência sobre ensino de gênero nas escolas. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/. Acesso em: 22 mar. 2026.

CURIEL, Ochy. Descolonização e pensamento feminista afro-caribenho. Revista Estudos Feministas, v. 22, n. 3, p. 965–986, 2014.

EVARISTO, Conceição. Olhos d’Água. Rio de Janeiro: Pallas, 2014.

FERREIRA, Bia. Levante. [S.l.]: YouTube, [s.d.]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=V7Iaa8aJ7WY. Acesso em: 22 mar. 2026.

GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.

HOLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.

hooks, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013.

JESUS, Jaqueline Gomes de. Quem tem medo da palavra gênero? [S.l.]: YouTube, [s.d.]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=q_fWHe1z7I4. Acesso em: 22 mar. 2026.

 

DOWNLOAD