Uso de mangás na abordagem do ensino de diversidade e sexualidade de gênero
Estado: São Paulo (SP)
Etapa de Ensino: Ensino Médio
Modalidade: Educação Regular
Disciplina: Língua Portuguesa
Formato: Presencial
Pós-Graduanda em Ensino e Processos Formativos (UNESP). É otaku, faz natação e trabalho voluntário.
Professora PEB II do PEI em Ribeirão Preto. Adora música, séries e trocas de experiências novas.
Mestranda em agronomia no Programa de Produção Vegetal (UNESP FCAV). Realiza trabalho voluntário no Cursinho Ativo da FCAV, ama gatos e gosta de assistir séries de TV policiais e investigativas.
Licencianda em Biologia pela UNESP - FCAV e pretende ingressar no mestrado. Gosta de ler, jogar jogos de tabuleiro e estar em contato com a natureza.
Rosemary é licenciada em Ciências Biológicas, Mestra e Doutora em Educação para a Ciência (UNESP). Professora do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e do Programa de Pós-Graduação Interunidades em Ensino e Processos Formativos (UNESP). Faz pole dance, bordado livre e ama literatura (suspense, mistério e poesia).
Objetivos
- Identificar estereótipos de gênero ao longo da história.
- Conhecer o que são mangás.
- Explorar alguns mangás que abordam estereótipos de sexualidade e gênero.
- Diferenciar conceitos sobre sexualidade, gênero e preconceito.
- Conhecer personagens históricos e suas orientações sexuais e identidade de gênero.
- Refletir sobre sexualidade e preconceitos.
- Respeitar as diferenças entre as pessoas.
- Desenvolver empatia com pessoas LGBTQIAP+.
- Desenvolver um olhar crítico a respeito dos padrões sociais entre feminino e masculino.
Conteúdo
- Breve história dos mangás.
- Conceitos de gênero, identidade e expressão de gênero, transgênero, cisgênero e pronomes.
- Mangás e desconstrução de ideias sociais sobre gênero, sexualidade e preconceitos.
- Questões históricas sobre sexualidade.
Referência cultural:
Mangá Until I meet my husband de Ryousuke Nanasaki.
O mangá autobiográfico conta a história de Ryousuke, narrando preconceitos encontrados em relação à sua orientação sexual desde a infância até a vida adulta, quando assumiu ser homossexual. Estereótipos de gênero, homofobia, não aceitação familiar e homossexualidade são temas centrais. Objetiva-se desconstruir ideias relacionadas aos estereótipos de gênero e às orientações sexuais, sendo os estudantes capazes de desenvolver empatia e solidariedade pela comunidade LGBTQIAP+.
Essa referência cultural deve ser inserida nas aulas 5 e 6 da sequência didática. Com o brainstorming pretende-se pontuar eventuais estereótipos que os estudantes venham a possuir sobre gênero e orientações sexuais, o que ajudará o professor a trabalhar com o mangá. Serão trabalhadas 4 cenas do mangá:
Cena 1
Aborda questões relacionadas aos estereótipos de gênero.
Fazer as seguintes perguntas:
- “Quais estereótipos de gênero vocês conseguem identificar nesta cena?”
- “O que acontece com pessoas que não se encaixam nestes estereótipos?”
Cena 2
Trabalha com o preconceito.
Fazer as seguintes perguntas:
- “Porque Takuma (um dos personagens) sofre preconceito por parte de seus amigos?”
- “Como este preconceito pode interferir na vida de Takuma?”
- “Os amigos deveriam ter agido de outra forma? Como?”
Cena 3
Aborda a não aceitação familiar.
Fazer as seguintes perguntas:
- “Por que a mãe do protagonista relacionou a sua homossexualidade a uma doença?”
- “Se vocês fossem os pais, como teriam agido em tal situação?”
- “Por que o protagonista tem dificuldade em contar para a sua mãe sobre a sua orientação sexual?”
Cena 4
Aborda a homossexualidade.
Fazer as seguintes perguntas:
- “Vocês acreditam que Ryosuke (protagonista) seria mais feliz se casando com uma mulher, como a sociedade espera, ou com alguém que ele realmente ama?”
Fechar a aula com diálogo reflexivo sobre o mangá ser baseado em fatos reais.
Jogo Quem eu sou?
O jogo Quem eu sou? foi desenvolvido pelo grupo como uma ferramenta de ensino para auxiliar no alcance dos objetivos. O jogo é composto por 32 cartas com pessoas famosas e personagens fictícios com representatividade LGBTQIAP+.
Para as aulas 1 e 2 e 5 e 6 foram desenvolvidas apresentações de slides e fornecemos um catálogo de mangás que podem ser utilizados por professores.
Esse material pode ser acessado no link: https://drive.google.com/drive/folders/1xMH1kmEd9J-FPdeRQblk25x_Zun9CCIS
Metodologia
Aulas 1 e 2 - Aula expositiva-dialogada sobre mangás
A professora ou professor deverá realizar uma apresentação de slides explicando aos estudantes sobre a origem, história, características, modo de leitura e tipos/gêneros de mangás, além de estereótipos de gênero e preconceitos relacionados aos mesmos.
Posteriormente deverá ser realizada uma discussão por meio de questões norteadoras contidas na apresentação de slides. É recomendado que o professor estude a apresentação previamente, uma vez que os mangás possuem características específicas.
Recomendamos que cerca de 10 minutos sejam separados para discussão de cada pergunta.
Aula 3 - Conceitos de gênero, identidade de gênero, expressão de gênero, transgênero, cisgênero e pronomes
A professora ou professor deverá introduzir os conceitos mencionados por meio de uma aula expositiva dialogada e uma dinâmica que consistirá em um jogo de verdadeiro ou falso a respeito das diversas fake news sobre a comunidade LGBTQIAP+.
Sugere-se que a docente reserve 25 minutos para a aula expositiva e os outros 25 minutos para a dinâmica.
Como exemplo de reportagem que pode ser abordada na dinâmica mencionamos: O governo quer usar dinheiro público para distribuir “Kit Gay” em escolas.
Aula 4: Brainstorming – O que é de menino e o que é de menina – Jogo Quem Eu Sou?
A professora ou professor deverá realizar uma chuva de ideias sobre o que é ser homem e mulher. Em seguida, propor o jogo Quem Eu Sou?, que consiste em cartinhas com imagens de pessoas históricas com representatividade LGBTQIAP+. Durante o jogo, cabe ao docente mediar a abordagem, explicando que apenas olhando para as características de uma pessoa (sua expressão sexual) não podemos e não devemos definir aspectos da sexualidade humana como orientação sexual e identidade de gênero.
Aulas 5 e 6: Uso de mangás para desconstrução de ideias sociais sobre gênero, sexualidade e preconceito
A docente deve realizar uma roda de conversa utilizando o mangá Until I meet my husband para a desconstrução de padrões socialmente criados sobre a sexualidade e estereótipos de gênero. Sugerimos que o docente disponibilize previamente o PDF do mangá para que os estudantes possam ler e que na aula façam uso de uma apresentação de slides que contém as cenas específicas do mangá e questões norteadoras.
Aulas 7 e 8: Questões históricas de sexualidade
Estas duas aulas têm por objetivo que os discentes sejam capazes de compreender conceitualmente, historicamente e socialmente as questões de gênero e orientação sexual ao longo da história. Os estudantes deverão pesquisar sobre os personagens do jogo Quem Eu Sou? e, juntamente ao professor, construirão uma linha do tempo.
Aula 9: Quem vê cara não vê gênero e sexualidade
A docente mostrará aos seus alunos fotos de algumas pessoas famosas, questionando se os discentes conseguem apontar qual gênero aquela pessoa tem. Posteriormente, o docente pedirá para que leiam um texto contendo um pouco sobre a vida da pessoa e pequenos relatos de preconceitos e intolerância que ela passou. Como exemplos de pessoas famosas citamos “Elliot Page”, “Carmo Della Vecchia”, “Samira Close” e “Nanda Costa”.
Aula 10: Apresentação pelos alunos de diferentes personagens de mangás ou animes com representatividade LGBTQIAP+
Os discentes deverão apresentar personagens de mangá ou anime LGBTQIAP+, expondo a história do personagem e motivo da escolha. Seu objetivo é desenvolver a visibilidade e empatia pelos alunos à pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIAP+. Para que essa atividade seja realizada, o docente deverá explicar e pedir para que os alunos façam tal pesquisa já no final da aula 5.
Recursos Necessários
- Mangá Until I meet my Husband.
- Apresentação de slides com cenas do mangá que deverão ser trabalhadas e discutidas, assim como às perguntas norteadoras que deverão ser utilizadas para a roda de conversa sobre o mangá.
- Smart TV ou projetor: para a exibição das cenas do mangá.
- Notebook ou computador.
Duração Prevista
Aulas 5 e 6, nas quais serão trabalhadas a referência cultural, devem ter a duração de 1 hora e 40 minutos juntas.
Cabe ao docente os recortes e modificações que julgar pertinentes.
Processo Avaliativo
Aulas 1 e 2: 4 questões relacionadas aos mangás e preconceito que determinados grupos de pessoas enfrentam por gostarem de alguns tipos específicos de mangá, como por exemplo, mulheres que leem Yaoi.
Aula 3: Dinâmica de verdadeiro ou falso.
Aula 4: Chuva de ideias; Jogo Quem Eu Sou?. Elaboração de um texto bibliográfico a respeito do personagem/pessoa histórica abordado no jogo.
Aulas 5 e 6: Questões para discussão do mangá.
Aulas 7 e 8: Pesquisas e desenvolvimento de uma linha do tempo sobre a sexualidade ao longo da história.
Aula 9: Participação dos estudantes.
Aula 10: Apresentação de personagens representativos da comunidade LGBTQIAP+ selecionados pelos discentes.
Referências Bibliográficas
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