Periferia no Centro

Estado: São Paulo (SP)

Etapa de Ensino: Ensino Médio

Modalidade: Educação Regular

Disciplina: Artes, História

Formato: Presencial

Historiadora e mestre em Educação. Mulher negra que compartilha seus saberes e trajetórias em uma abordagem pedagógica antirracista, decolonial, com ênfase na valorização das culturas afro-brasileiras, da educação de gênero e das epistemologias africanas.

Artista e educadora. Mulher negra que compartilha seus saberes e trajetórias em uma abordagem pedagógica antirracista, decolonial, com ênfase na valorização das culturas afro-brasileiras, da educação de gênero e das epistemologias africanas.

Historiadora e musicista. Mulher negra que compartilha seus saberes e trajetórias em uma abordagem pedagógica antirracista, decolonial, com ênfase na valorização das culturas afro-brasileiras, da educação de gênero e das epistemologias africanas.

Objetivos


  • Proporcionar aos estudantes do 1º ano do Ensino Médio uma experiência pedagógica interdisciplinar que articule ancestralidade, cultura afro-brasileira, música, território, gênero e resistência, por meio do projeto Periferia no Centro, fortalecendo uma educação antirracista, de gênero, crítica e emancipatória.

  • Reconhecer e valorizar a contribuição de figuras históricas negras, especialmente mulheres, na formação cultural brasileira.

  • Relacionar o samba e outros gêneros musicais às tradições das etnias Bantu, Yorùbá, Jeje e Ashanti.

  • Compreender a periferia como território de resistência e produção de saberes.

  • Estimular a produção artística autoral como forma de expressão política, identitária e de gênero.

  • Desenvolver a pesquisa em fontes diversas e a apresentação oral colaborativa.

  • Promover reflexões críticas sobre desigualdades de gênero e suas interseções com raça e território.

Conteúdo


  • Cultura afro-brasileira e ancestralidade.

  • Matriarcas do samba e protagonismo feminino negro.

  • Etnias africanas: Bantu, Yorùbá, Jeje e Ashanti.

  • Periferia como território/terreiro.

  • Música como linguagem de resistência e identidade.


Referência cultural:

  • Música Fim de semana no parque, Racionais MC’s (1993).

  • Exposição Racionais: o quinto elemento  (Casa das Rosas, São Paulo, 2023).

  • Clementina de Jesus.

  • Dona Ivone Lara.

  • Tia Cida dos Terreiros.

  • Pastoras do Rosário.

  • Carolina Maria de Jesus.

  • Madrinha Eunice.


A música Fim de semana no parque, dos Racionais MC’s, retrata a desigualdade social e racial vivida por jovens negros das periferias, evidenciando o racismo estrutural. A canção propõe a periferia como espaço de resistência e produção de saberes. A narrativa se relaciona às heranças das matrizes étnicas africanas - Bantu, Yorùbá, Jeje e Ashanti - presentes na construção da identidade negra e periférica no Brasil.

A música será inserida na metodologia como ponto de partida para uma escuta crítica e uma análise coletiva em sala de aula, permitindo aos estudantes refletirem sobre desigualdades raciais, territoriais e de gênero a partir de suas próprias vivências. A letra, ao apresentar a realidade de jovens negros da periferia em contraste com os privilégios de jovens brancos de classe média, tensiona as estruturas de exclusão e violência urbana que atravessam raça e classe.

No contexto da atividade, a canção será analisada em articulação com a visita à exposição Racionais: o quinto elemento, promovendo a construção de uma narrativa crítica sobre a história social brasileira. Essa referência cultural será conectada às trajetórias de mulheres negras como Carolina Maria de Jesus, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus e Madrinha Eunice, trazendo à tona o apagamento histórico das mulheres negras e a importância de suas vozes na produção de conhecimento, arte e resistência.

A presença da música dos Racionais na metodologia permite abordar o machismo estrutural presente tanto na sociedade quanto nas expressões culturais, ao mesmo tempo em que potencializa o debate sobre gênero ao contrastar experiências masculinas e femininas negras nas periferias. Ao articular as figuras femininas históricas ao universo musical periférico, a proposta promove uma escuta sensível e crítica das interseccionalidades entre raça, gênero, território e classe na educação básica.

Metodologia

A proposta parte do tema “Terreiro”, compreendido como território sagrado, lugar de resistência, transmissão de saberes e vivências ancestrais. A noção de terreiro é mobilizada também como metáfora para pensar a periferia urbana como espaço de produção cultural, espiritualidade e identidade.

O projeto se ancora na pedagogia da escrevivência (EVARISTO, 2019), na cosmopercepção africana (RUFINO, 2019; Silva, 2020) e nas práticas culturais das matrizes étnicas Bantu, Yorùbá, Jeje e Ashanti, cujos fundamentos serão estudados ao longo das aulas, com foco em suas contribuições linguísticas, religiosas, filosóficas, musicais e sociais para a formação da cultura afro-brasileira.

O percurso metodológico inclui atividades variadas, como:

  • Escuta e análise crítica da música Fim de semana no parque (RACIONAIS MC's, 1993).

  • Visita pedagógica à exposição Racionais MC’s: o quinto elemento, no Museu das Favelas (São Paulo, SP).

  • Estudos sobre as personalidades históricas negras, com destaque para mulheres como Tia Ciata, Madrinha Eunice, Carolina Maria de Jesus, Dona Ivone Lara, Clementina de Jesus, Tia Cida dos Terreiros e as Pastoras do Rosário.

  • Estudo introdutório sobre as etnias africanas Bantu, Yorùbá, Jeje e Ashanti, com abordagem histórica e cultural.

  • Pesquisa em duplas, utilizando diferentes fontes (textos, vídeos, podcasts, museus virtuais).

  • Análise da relação entre música, ancestralidade e território.

  • Produção de um texto autoral no estilo Partido Alto, inspirado nas trajetórias estudadas e na música escolhida.

  • Apresentações finais que integram fala, elementos visuais e performance musical.


Cada etapa é pensada para promover o protagonismo estudantil e a valorização dos saberes periféricos e ancestrais. O trabalho com duplas favorece o diálogo e a construção coletiva do conhecimento. O diário de bordo e os registros em caderno ou portfólio possibilitam o acompanhamento do processo formativo, não apenas do produto final.

A mediação docente requer sensibilidade para ouvir as experiências dos estudantes, acolher suas expressões artísticas e tensionar os discursos hegemônicos presentes nos currículos escolares. É essencial que as educadoras reflitam, antecipadamente, sobre como promover um ambiente de escuta ativa, respeito às diferenças e incentivo à criação, considerando as intersecções entre raça, gênero, classe e território.

Recursos Necessários


  • Celulares com acesso à internet.

  • Caixa de som ou projetor.

  • Música Fim de semana no parque (YouTube).

  • Textos e vídeos sobre etnias africanas.

  • Papel kraft, canetas coloridas, revistas.

  • Material da exposição Racionais: o quinto elemento.

Duração Prevista

7 encontros de 4 horas cada, totalizando 28 horas de atividade ao longo de 2 meses.

Processo Avaliativo

A avaliação será contínua e formativa, considerando a participação nas atividades, o envolvimento nas discussões, a qualidade da pesquisa sobre as figuras históricas negras e o aprofundamento das reflexões sobre ancestralidade, território e gênero. Será valorizada a criatividade e a expressão crítica na produção final: uma composição musical autoral em estilo Partido Alto, realizada em duplas, que articule os saberes pesquisados, a escuta musical e as experiências vivenciadas ao longo do projeto. Os registros no caderno, a apresentação final e a capacidade de articulação entre os conteúdos serão elementos centrais no processo avaliativo.

Referências Bibliográficas

EVARISTO, Conceição. Escrevivências e outros ensaios. Rio de Janeiro: Pallas, 2019.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

OYĔWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Trad. Simone P. de Souza. Salvador: EDUFBA, 2021.

RUFINO, Luiz. Pedagogia das encruzilhadas. Rio de Janeiro: Mórula, 2019.

SILVA, Roberto da. Bases freirianas da pedagogia social em construção no Brasil. Revista Pedagogia Social, São Paulo, v. 4, n. 4, p. 12–29, 2020.

VERGER, Pierre. Fluxo e refluxo do tráfico de escravos entre o Golfo do Benin e a Bahia de Todos os Santos: do século XVII ao XIX. São Paulo: Corrupio, 1987.

LEITE, Letieres. Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz [CD]. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2009.

LEITE, Letieres. A saga da travessia [CD]. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2016.

RACIONAIS MC’s. Fim de semana no parque. In: Raio-X do Brasil [CD]. São Paulo: Cosa Nostra, 1993. 

BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, p. 1, 0 jan. 2003.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 30 mai. 2025.

 

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