Por uma escola sem homofobia, lesbofobia e transfobia

Publicado em 11 de fevereiro de 2016

Essa oficina é uma sugestão de atividade após a exibição do vídeo “Boneca na Mochila”, que fazia parte do material do Caderno Escola Sem Homofobia, conhecido como “Kit Gay”.

Objetivo: contribuir para que, cada vez mais, as/s profissionais da escola tomem consciência dos problemas que adolescentes e jovens LGBT enfrentam, e se mobilizem a fim de eliminá-los;
Materiais: folhas de papel A4, folhas de cartolina, revistas velhas, tesouras, cola, canetas hidrocor de várias cores.

Tempo: Variável.

Dicas: Essa técnica procura atuar sobre a cultura da escola. De modo geral, a orientação sexual e a identidade de gênero de jovens LGBT gera discriminação, exclusão e conflitos nas escolas. Porém, o problema não está na sexualidade ou identidade das/dos alunos LGBT, mas no ambiente escolar hostil à não heterocisnormatividade (ou seja, a norma que coloca a heterossexualidade e a cisgeneridade* como únicas possibilidades possíveis).

Processo:
1 – Para aquecer, iniciar afirmando “O vídeo mostrou que existem preconceitos em relação à pessoas que não são heterossexuais”. Em seguida, perguntar às/os participantes:

  • Quais preconceitos foram mostrados no vídeo? Por que existe esse tipo de preconceito?
  • Vocês acham que a sua escola prejudica as pessoas que não são heterossexuais ou cisgêneras? Como?
  • O que vocês acham da frase: “Ninguém precisa gostar de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, mas todos devem respeitar?”

2 – Em seguida, dizer aos participantes que farão um trabalho a fim de colaborar para acabar com a homofobia e a transfobia nas escolas, torná-las mais seguras às pessoas que têm uma orientação sexual ou identidade de gênero diferente, reconhecendo que a homofobia, a lesbofobia e a transfobia ferem os direitos humanos.

3 – Escreve na lousa a seguinte afirmação:
“A discriminação nas escolas quase sempre surge porque alguma aluna ou algum aluno parecer ser ou age de maneira diferente. As meninas que se destacam nos esportes mais radicais e os meninos que pedem dispensa das aulas de Educação Física muito provavelmente serão ofendidas/os, agredidas/os e até poderão deixar de frequentar a escola.”

4 – Explicar que essa afirmação é baseada em várias pesquisas¹, até nacionais, que mostram o quanto o ambiente escolar é pouco acolhedor para as pessoas que são diferentes, seja pela orientação sexual, seja pela cor da pele, origem, religião, sexo, idade, seja porque são gordas ou têm alguma deficiência, etc.

Então, como ninguém quer fazer parte de uma escola que discrimina pessoas diferentes, propor fazer uma série de cartazes para que toda a escola trate bem as/os alunas/os, professoras/es e funcionárias/os que são gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

5 – Dividir a turma em duplas ou trios.

6- Distribuir os materiais a cada subgrupo (exceto as folhas de cartolina e as revistas velhas).

7 – Pedir que façam um esboço com a proposta de um cartaz que será executado numa próxima aula. Dizer que tenham em mente que, para o cartaz ser atraente, ele deve ser colorido, ter letras grandes, texto curto e com uma mensagem bem objetiva, para que todo mundo entenda.

8 – Dar o restante do tempo previsto para os subgrupos realizarem seus esboços.

9 – Antes do término, recolher os esboços e dizer às/os alunas/os que os levará e os trará na próxima aula com suas análises.

Procurar analisar cada um dos esboços das/os participantes valorizando os aspectos positivos, mas observando também os que precisam ser evitados. Este roteiro pode facilitar o seu trabalho:

  • A proposta reforça estereótipos atribuídos a homens e mulheres?
  • Se sim, mostra também como enfrentá-los?
  • Tem personagens ridicularizados? Quais?
  • Apresenta personagens LGBT pouco saudáveis?
  • Apresenta personagens LGBT valorizados?
  • Apresenta situações aterrorizantes, sem saída?

10 – No encontro seguinte, apresentar os trabalhos para toda a classe (pode-se expô-lo nas paredes).

11 – Pedir que as/os participantes manifestem suas opiniões e expor suas análises também.

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12 – Solicitar as/aos participantes que façam então o cartaz para valer, nas folhas de cartolina (Isso pode ser feito no horário da aula).

13 – Combinar um dia para as/os alunos colarem os cartazes em pontos estratégicos da escola, abrangendo todo o espaço escolar (portaria, cozinha, setor de limpeza, sala das/os professores, APM, grêmio etc.).

14 – Se houver chance, essa grande exposição dos cartazes pode coincidir com a semana da Parada do Orgulho LGBT.

Fechamento

  • Esclarecer que exite um padrão de afeto e sexualidade que tem a força de uma norma social – a heteronormatividade -, imposta como “única maneira correta” de sexualidade para todo o conjunto da sociedade. Segundo essa norma, mulher tem que transar com homem e homem tem que transar com mulher. Essa norma discrimina quem não segue esse padrão.
  • A heteronormatividade deve ser criticada, enfrentada, questionada, para que as diferentes expressões de orientação sexual possam ser compreendidas e respeitadas.
  • Explorar a ideia de que a masculinidade heterossexual, por ser dominante (e marcada por termos como virilidade, força, falta de sensibilidade, afetividade etc) escamoteia outras manifestações de masculinidade também legítimas, como desejo de um pai de cuidar da casa, fazer trabalhos domésticos etc.
  • Mostrar como a polarização entre o que é considerado masculino e o que é considerado feminino em nossa sociedade limita e desqualifica outras expressões de sexualidade ou mesmo da identidade de gênero.
  • Recorrer à história da sexualidade para mostrar como, ao longo do tempo, as diferentes orientações sexuais vêm sendo consideradas pela sociedade.