Oficina sobre Estereótipos LGBT

Publicado em 11 de fevereiro de 2016

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Objetivo: Mostrar os mitos e estereótipos mais comuns sobre pessoas LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) e estimular uma discussão.

Materiais: pequenos cartões (12cm x 15cm, por exemplo) de duas cores diferentes, cada um com uma afirmação (ver lista a seguir) que expressa um valor; uma caneta para cada participante.

Afirmações:

  • Meninos que brincam de boneca e de casinha são…
  • Garotos que partem para a briga são…
  • Garotas que partem para a briga são…
  • Garotos que não encaram uma briga são…
  • Mulheres que dirigem um caminhão são…
  • Um garoto se torna gay porque…
  • A melhor coisa num gay é…
  • A pior coisa num gay é…
  • Gays precisam de conselhos para…
  • Lésbicas geralmente trabalham em…

Tempo: 50 minutos.

Dicas: essas técnica promove uma discussão sobre temas que são considerados tabus ou que são negados ou que ainda provocam raiva ou rejeição. É importante que a facilitadora ou facilitador reflita sobre suas próprias opiniões e atitudes em relação à orientação sexual, tendo em vista que as escolas públicas são democráticas e laicas. É fundamental também que ela/ele mantenha a postura de defender o respeito para com pessoas de todas as orientações sexuais, mas sem censurar as/os jovens, escutando os seus comentários – mesmo quando homofóbicos – provocando-os/as, questionando-os/as, porém sem condená-los/as.

Processo:

  1. Dividir a turma em dois grandes subgrupos, A e B.
  2. Cada pessoa dos subgrupos recebe cartões com cores diferentes, isto é, o subgrupo A fica com os cartões brancos e o subgrupo B com cartões amarelos, por exemplo.  Em cada cartão, escrever três das afirmações listadas no quadro Afirmações.
  3. Pedir a cada pessoa que complete a afirmação escrita no cartão, escrevendo com letra bem legível.
  4. Dar 15 minutos para a realização da proposta.
  5. Recolher e redistribuir os cartões, trocando-os agora: o subgrupo A fica com os amarelos e o subgrupo B com os brancos.
  6. Em seguida, dividir os subgrupos em duplas ou trios e solicitar que discutam sobre as afirmaç~es e seus complementos escritos nos cartões que receberam. Uma pessoa deve anotar para, em seguida, relatar o resultado da discussão.
  7. De volta ao grande grupo, solicitar que as pessoas leiam as afirmações e as anotações de cada dupla ou trio.
  8. A partir das afirmações e anotações de cada dupla ou trio, questionar /problematizar quando os comentários e afirmações reforçarem estereótipos, a partir do seguinte roteiro:

Roteiro para discussão:

  • Por que as pessoas que têm comportamentos diferentes do padrão incomodam tanto?
  • Por que, para muitas pessoas, é difícil aceitar o comportamento homossexual?
  • A sua escola dá liberdade para casais de namorados heterossexuais trocarem carinho? Em caso positivo, como a escola reage quando dois rapazes são afetuosos um com o outro? E a sua reação? É diferente quando duas garotas trocam gestos afetivos?
  • Por que certos programas cômicos de televisão mostram gays e lésbica de forma ridícula, desprezível?
  • Que outras características humanas são alvo também de gozação?

Fechamento:

No mundo todo, o termo orientação sexual é usado para indicar se o relacionamento afetivo-sexual de uma pessoa é/será com alguém do gênero oposto (heterossexual), do mesmo gênero (homossexual) ou de ambos gêneros (bissexual).

Explique qu já houve um tempo em que a homossexualidade era considerada doença e deixou de ser, no Brasil, desde 1985. No entanto, há grupos sociais que proíbem e punem qualquer orientação sexual que seja diferente da heterossexual por vergonha, por achar que isso é indecente, porque é pecado, porque impede a reprodução. Há famílias que fazem de tudo para “mudar” a orientação sexual de sua filha lésbica ou de seu filho homossexual por puro preconceito.

Gays e lésbicas são, muitas vezes, expulsos/as de suas famílias, são alvo de desprezo, gozação e atos violentos que podem levar a morte. Numa escola inclusiva, o mais importante é o respeito às crianças, e às/aos adolescentes e jovens que revelam ter comportamentos e/ou desejos diferentes do que é considerado comum, porque têm o direito de ser diferentes e, portanto, não devem sofrer nenhum tipo de discriminação.
Da mesma forma que a discriminação por raça, classe social, religião, origem, sexo, etc. a homofobia e a transfobia ferem os direitos humanos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, garantidos na Constituição brasileira em seu artigo 5º, no qual está escrito: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se […] a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, igualdade, segurança e prosperidade […]”.

 *Essa oficina faz parte dos materiais do Caderno Escola Sem Homofobia, que ficou conhecido como “Kit Gay”