O que a morte da professora Sandra Denise tem a ensinar?

Publicado em 16 de maio de 2016

Em meio ao debate se escolas devem ou não abordar as questões de gênero, a violência contra a mulher invade escola de Salvador/BA

por Juliana Gonçalves

As aulas continuam suspensas nesta segunda-feira (16) na Escola Municipal Esperança de Viver, localizada no bairro Castelo Branco, em Salvador, onde trabalhava a professora Sandra Denise Costa Alfonso, morta pelo marido dentro da unidade de ensino na sexta-feira (13). De acordo com a Secretaria de Educação do Município, ainda não há previsão de quando as atividades serão retomadas no local. Na unidade, estudam 175 alunos, da Educação Infantil e Ensino Fundamental I.

O major Valdiógenes Almeida Cruz Júnior cometeu o crime ao descobrir uma suposta traição, depois de visualizar mensagens por meio do Whats App.

O assassinado da professora dentro da escola é simbólico no momento no qual se discute a abordagem de temas relacionados à igualdade de gênero por professores/as.

De acordo com a secretaria, a direção da escola prepara um plano específico para abordar a perda da professora com os alunos e a violência de gênero.

Neste caso específico, a violência de gênero se fez presente de maneira bruta e mortal dentro da escola, mas não significa que já não estivesse posta por meio das narrativas de vivências dos/as estudantes e das/dos professores dentro e fora da escola. O sistema de opressão de mulheres por homens (patriarcado), infelizmente é elemento fundante da sociedade e tem sua faceta mais cruel exposta no número crescente de assassinados de mulheres.

Escola segue fechada na Bahia (Foto: Ramon Ferraz / TV Bahia)

Escola segue fechada na Bahia (Foto: Ramon Ferraz / TV Bahia)

Falar de gênero na educação não é apenas promover o respeito às diferentes orientações sexuais, é a possibilidade de desnaturalizar várias violências cotidianas que mulheres sofrem apenas por serem mulheres. É abordar comportamentos masculinos nocivos inclusive para homens que são baseados apenas na construção social, mas são defendidos como padrões biológicos.

Valdiógenes não tem aparato legal para justificar sua reação criminosa, mas infelizmente comentários que circularam nas notícias sobre o fato, relativizam seu crime e demonstram como a morte de uma mulher pode ser vista com certa empatia pela sociedade já que “Ela mereceu, pois traiu”, “Homem que é homem não tem sangue de barata”, “Assim que se paga chifre”.

As relações de gênero já estão presentes no ambiente escolar, assim como na sociedade. Porém, o ato de discuti-las visando a desconstrução das opressões beneficia a todos e pode conceder às mulheres o que foi tirado de Sandra: a exemplo do nome da escola, a “esperança de viver”.

Com informações do G1