XXT-LAB: Percurso auto-investigativo em saúde sexual e reprodutiva

Autoria: Gabriela Barbosa Dias de Lima

Estado: São Paulo (SP)

Etapa de Ensino: Ensino Fundamental I, Ensino Fundamental II, Ensino Médio

Modalidade: Educação de Jovens e Adultos, Educação do Campo, Educação Escolar Indígena, Educação Escolar Quilombola, Educação Regular

Disciplina: Artes, Biologia, Sociologia

Formato: Híbrido

Sobre Gabriela Barbosa Dias de Lima

Obstetriz, formada pela Universidade de São Paulo. Curso técnico em Artes Cênicas. Atuo em São Paulo com assistência ao parto, educadora perinatal e educação em saúde sexual e reprodutiva. Durante a graduação fiz um curso de Doula, e pude prestar esse acompanhamento às mulheres em diferentes contextos de assistência ao parto, casa de parto, ambiente domiciliar, hospitais públicos e privados. Por três anos realizei Iniciação Científica acerca da Elaboração de Planos de Parto e Depressão na Gestação. Compus a gestão 2017 do Centro Acadêmico e as Comissões de Organização do XVIII e XIX Encontro de Obstetrícia. Atualmente integro e construo a Coletiva Ruta e o Plena é a Mãe! Também sou mãe, o que aterrou meus pés na realidade e firma meu caminho na luta por uma sociedade mais justa para todas.

Objetivos

Desenvolver atividades do XXT LAB - Percurso auto-investigativo em Saúde Sexual e Reprodutiva: Laboratório-espaço de experimentação, investigação, debate, autoconhecimento, resgate das culturas e acervos de conhecimentos ancestrais. Tais atividades se resumem a oficinas temáticas sobre saúde e direitos sexuais e reprodutivos, anatomia e fisiologia do sistema sexual e reprodutor, proteção contra ISTs (infecções sexualmente transmissíveis), métodos contraceptivos e prevenção/proteção contra situações de violência e abuso. Utilizamos como abordagem metodológica recursos de arte-educação. Para crianças e jovens do ensino fundamental ao médio, sem separação por gênero mas entre grupos etários semelhantes, com linguagem apropriada para cada um, por exemplo: 6-8 anos; 9-11 anos; 10-13 anos; 14-17 anos.

Conteúdo

A importância e relevância deste projeto se insere no contexto de apoio à não violação dos direitos sexuais, à justiça reprodutiva e à autonomia, fomentando práticas de conscientização e resistência ao intervencionismo excessivo nos corpos das mulheres, expressivos no Brasil. Meninas são ensinadas, através das mais diversas formas, que seus corpos não lhes pertencem, que são sujos, inapropriados, defeituosos. E é assim que acabam por ser controlados, hormonizados e violados desde cedo, enquanto meninos são incentivados, por vezes de forma excessiva e precoce, a explorar sua sexualidade e reproduzir relações de poder.

A autonomia não é valorizada, o consentimento inexiste, a maternidade é compulsória, corpos são violados em cirurgias de esterilização. Negligência e imprudência são refletidos nos dados de assistência obstétrica, sendo sempre as mulheres negras as mais afetadas dentro desse sistema. O laboratório contará com recursos que fornecerão subsídio para a abordagem de temas relacionados a anatomia e fisiologia do corpo feminino, prazer, auto-exame ginecológico, análise de cultura de secreção, planejamento reprodutivo e anti-reprodutivo, tratamentos naturais (fitoterapia, óleos essenciais, alimentação).

Metodologia

Ao longo do desenvolvimento de nossos trabalhos percebemos a importância em utilizarmos uma abordagem metodológica que traga em seus princípios os conceitos de autonomia e emancipação dos sujeitos durante seus processos de aprendizagem e a assimilação de conhecimentos, a compreensão e possível ressignificação de suas trajetórias/traumas e reflexão crítica da realidade em que se inserem, para construir em conjunto a ideia de cuidado individual e coletivo.

Abordar criticamente a saúde sexual e reprodutiva com crianças e adolescentes é a oportunidade de fornecer outros recursos e paradigmas para além daqueles apresentados pela família, escola e grande mídia, logo no início de suas experimentações. É uma ferramenta para a autonomia e auto-proteção. Da mesma forma, abordar esse conteúdo com mulheres adultas e idosas é abrir a possibilidade de outros olhares, outros cuidados, de coletivizar informações atualizadas e baseadas em evidências científicas dialogando com outros saberes sócio-culturais.

Entendemos cultura, assim como os processos de saúde, como saberes populares, todas/os pertencemos, participamos e recriamos culturas, diferentes, mutáveis, compartilhadas como sociedade e que também tem especificidades em diferentes contextos. Assim, entendemos que as oficinas propostas são momentos de troca, compartilhamento e desenvolvimento individual e coletivo em que o autoconhecimento e conexão com o próprio corpo também compõem a existência coletiva.

Recursos Necessários

Duração Prevista

Seis meses: 8 semanas para o planejamento das ações; 16 semanas para execução das oficinas (em torno de 24 oficinas, com duração de 2-3 horas, divididas em 12 semanas, nos espaços/meios disponibilizados).

Processo Avaliativo

Criação de um material informativo sobre o conteúdo assimilado, pode ser em meios digitais ou físicos.

Observações

Referências Bibliográficas

Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. Ministério da Saúde. Brasil, 2013 - Cadernos de Atenção Básica, n. 26.

Paulo Freire - Pedagogia do Oprimido.

Augusto Boal - Teatro do Oprimido.

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